sábado, 30 de agosto de 2014

Vida

"Grandes movimentos se fazem a partir
de uma pequena ideia
correspondida com a vida"





[Anne Leal]

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Suspiro



"Quando o amor não pode ser,
a gente se consola com um suspiro alto"




[Suzanne Leal]

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Equilibrar-se

Precisamos largar a solidão acompanhada, parar de fingir o que pensamos ter e encarar a solidão de fato, encarar a si mesmo. É preciso ouvi-la, senti-la, compreender o que ela tanto tenta nos dizer sobre nós mesmos. Entender seu significado, sua representação, a simbologia que lhe contorna tão cuidadosamente.

A solidão é um espinho que cutuca a alma para fazer sangrar até curar a ferida. É preciso deixá-la falar para que entremos em contato com as obscuridades do nosso Ser e assim possamos utilizar nossa escuridão como força para nos libertarmos. Pois acredite, nossa sombra não é nossa inimiga, mas fazemos dela como tal. Ela é nossa aliada, a mais forte e mais importante para darmos passos livres.

A negação, a raiva, a revolta, a depressão, tudo isso pode nos cegar quando vendamos nossos olhos. Não percebemos que nos aprisionamos as nossas próprias emoções e criações. Aprisionamos-nos dentro do nosso próprio espelho, que nos mostra uma imagem inversa e estranha. Alimentamos a pequena sombra que nos habita, tornando-a um universo com vida própria. Uma vida que te deteriora se você não pará-la a tempo.

Equilibrar-se em uma linha trêmula não é fácil, se fosse, a maioria não se acomodaria. Equilibra-se é uma tarefa difícil e árdua. Mas mais importante do que o caminho que irá trilhar é reconhecer seus próprios monstros, reconhecer como você se coloca no mundo, como se relaciona consigo e com o outro. É a tarefa primordial a se fazer. O primeiro passo a ser dado.

Perceber que a maioria dos monstros são criações suas e mesmo aquilo que é imposto pelo outro, a quem você culpa veementemente como fuga de si mesmo, ainda assim, você tem autonomia para mudar. Você tem autonomia para guiar a sua alma. Basta reconhecer que pode ser uma escolha sua.

Temos autonomia para a mudança. Temos autonomia para escolher se queremos viver com aquilo que nos foi dado ou se queremos desejar, experimentar, fazer, mudar, construir concepções nossas, expandir nosso Ser. Encontrar quem somos de verdade. Encarar a vida e o mundo com leveza. Isto é espiritualidade. É leveza.

Leveza é fazer escolhas sem culpar o mundo, é permitir-se aos seus desejos e sonhos sem culpa ou transtorno. É ter coragem de abandonar os pesos e assumir que estes pesos foram escolhas suas, ainda que o mundo, as pessoas e até você mesmo façam você acreditar que não havia outra escolha ou alternativa.

Leveza é assumir quem você é. De verdade. E não aquilo que você pensa ser. Acredite, existe uma real e grande diferença entre aquilo que você é e aquilo que você acha que é. Sabia ter um olhar simples ao buscar essa diferença. Saiba compreender e aceitar, que lhe pertence e que lhe torna um Ser único no mundo.

Quem você é agora? Em meio a tantos outros que se misturaram a você e que você se deixou misturar. Quais seus gostos? Suas vontades? Quem é você de verdade? Quem é o rosto que se esconde atrás de máscaras e roupas pesadas? Quem é o rosto atrás do espelho?

Você só saberá quando se despir de todos os pesos, mentiras e máscaras, e encontrar-se desnudo de qualquer mediocridade. Quando compreender de fato seus erros e acertos, suas luzes e sombras. Quando alcançar ao menos um pouco de resiliência.

Se você alcançou a sua espiritualidade. Celebre. Você está vivo de verdade.





[Anne Leal]

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Calma

"Às vezes a gente se perde por dentro"


[Anne Leal]


















"A gente pede calma, tudo vai passar.
PACIÊNCIA pra esperar passar"


[Anne Leal]

Motivos

"E pelas causas e motivos
a gente se move,
modifica
e escolhe"


[Anne Leal]













"Posso dizer entre silêncios
que a gente sente muito mais
do que as coisas transparecem"


[Anne Leal]















"Antes de dormir repetia como prece:
Não me deixe esquecer-me,
porque quando desvio de ser eu mesma,
eu me apavoro"


[Anne Leal]















"No fundo ela já sabia,
era a vida soprando ao seu ouvido"



[Anne Leal]

Vozes

"Quando for dia de culpa,
me ponho embaixo de um guarda-chuva 
e espero todas as vozes se calarem
e escorrerem pelas ruas"



[Anne Leal] 



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Gravidade

"Pra alcançar a GRAVIDADE
das coisas
é preciso libertar
o pensamento"



[Anne Leal]

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Encontrar-se

É hora de renascer. Reconstruir-se. Bom senso, vitalidade, força e fé. Fé no que se acredita, fé em si, fé na vida. Não confunda esta fé com religiosidade. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Fé é vida, é espiritualidade, religiosidade é um dogma para o qual a gente escolhe se fechar.

Espiritualidade é encontrar-se, é olhar-se de frente e encarar todos os monstros que pesam sobre os nossos ombros, sobre as nossas emoções, sobre os nossos pensamentos. É não mais enganar-se, ou fingir, acumulando poeira e peso desnecessário. É levantar o tapete sem medo, encarar a poeira e fazer uma limpeza espiritual. É quando nos traz equilíbrio, nos fazendo andar lado a lado ou de mãos dadas com as nossas sombras.

Nossas sombras não são tão más quando as assumimos. Nossas sombras não são tão más quando as compreendemos. Se soubéssemos ouvir o que nós mesmos temos a dizer, seríamos mais leves, resilientes, pacientes. Seríamos menos neuróticos e atormentados. Saberíamos respeitar a si e ao outro. Seríamos mais sábios e mais receptivos à vida. Por que é a vida que clama quando você sente dor.

Durante muito tempo, escolhemos ficar parados e nos acomodamos em uma situação que não aceitamos. Sabemos que aquele não somos nós, que o que mostramos não é nosso Eu verdadeiro. Vivemos uma farsa. Nossos desejos, nossos sonhos, nossas palavras, nossos movimentos, nossos sentimentos, nossos ideais, tudo se apaga quando nos escondemos de nós mesmos. Ficamos sem identidade e nos tornamos àquilo que o outro fala sobre nós.

Não basta deixar o mundo girar, é preciso girar junto com ele. Deixar a loucura de dentro sair, essa loucura que acelera seu coração, mas que só você sabe enxergar e sentir. Essa loucura que se outras pessoas vissem diriam que não é você, mas no fundo você sabe que isso é tão você mesmo, tão fiel a si, um retrato perfeito da sua própria alma.






[Anne Leal]

terça-feira, 19 de agosto de 2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Simplicidade

Perder sua própria criança é perder metade da fé na liberdade, na simplicidade, no homem humanizado.


[Anne Leal]



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Transbordamento - limite

A doença maltrata, atormenta, aterroriza por quem a olha bem de perto, por quem a vive, por quem é atingido. Ela cutuca nossas feridas mais profundas, àquelas que jamais desejaríamos olhar. Ainda que a gente se afunde em negação e raiva, ainda assim, sabemos que está lá e que dela não podemos fugir.

Nadamos num rio escuro e profundo. Apavorados e sozinhos ficamos desesperados, angustiados. Por não suportar estes sentimentos, transformamo-los em flechas apontadas para todos os lados. Atiramos sem direção como uma tentativa desesperada de fuga e negação. Mas a fuga não é possível. Ainda quando se tenta correr para morte, ainda assim não se pode fugir daquilo que a vida inteira tentamos evitar.

Fugir é uma tentativa falha que tentamos inúmeras vezes, mesmo com os contínuos fracassos e frustrações, mesmo enxergando que fugir só prolonga o caminho, que se torna ainda mais doloroso. Ainda assim desejamos fugir. Acumulando mais pesos, mais marcas e dores. Uma hora o rio escuro transborda, uma hora só existirá o rio escuro. Uma hora será só você e a escuridão da sua própria dor.

Quando a dor e as mentiras inventadas transbordam, o corpo clama e a alma protesta, transformando-se num grito desesperado. Nós somos humanos, e o corpo não agüenta, ele também padece. Quando o corpo padece, a alma adoece junto e vice-versa, porque os dois, diferente do que nos é ensinado a acreditar, jamais estão separados. Eles são um só. É uma separação cultural bem difícil de compreender.

Nosso corpo carece de leveza e ele te avisa e te suplica todos os dias, mas somos treinados para não escutá-lo, para ignorá-lo, para acreditamos que somos feitos de ferro e não humanos. Mas até mesmo o ferro corrói, enferruja. Somos treinados a pensar que nunca seremos nós a nadar no rio escuro e a percorrer pelas nossas próprias sombras. Tudo é o outro. Tudo só acontece com o outro. Até o culpado pelos nossos erros é o outro.

O isolamento e a negação podem te isolar permanente em águas escuras. Mas não culpe a teoria. Você escolheu permanecer e construir muros que separam você da vida. Que separam você de águas límpidas e transparentes. O nado é longo e cansativo, mas aumentar ou encurtar essa distância é questão de escolha. Temos capacidade de autonomia. Temos plena capacidade de escolhermos onde queremos ficar e estar. Não importa o que seja, ainda assim foi escolha sua.

Transbordar é ultrapassar um limite que devíamos sempre respeitar. É ultrapassar o limite do que podemos suportar. É chegar ao intolerável. A sua mente pode até te enganar com uma falsa tolerância, mas o seu corpo e sua alma, estes jamais te enganarão. Basta saber ouvi-los, compreendê-los em sua forma e jeito de ser, pois não existe regra, existe individualidade.

Existe você. Saiba enxergar-se antes que o seu rio escuro transborde.





[Anne Leal]

sábado, 2 de agosto de 2014

O transbordamento - corpo e emoção

Corpo é emoção, que grita, que transcende, que busca uma chama que não se sabe bem o que é. Só se sabe que quer senti-la em toda a sua intensidade e magnitude. Que quer buscá-la dentro e fora de si. Porque ficar parado angustia, é uma falsa ilusão de comodismo, de mais fácil. O caminho que parece ser o mais rápido e fácil, se torna o mais difícil e árduo. Se pararmos bem pra pensar, não é cômodo, na realidade é duro e penoso estagnar-se no comodismo, na mesmice, no conhecido.

As conseqüências são muitas. E acredite, a maioria não é boa. Quando nos deparamos com elas, ficamos sem chão, sem identidade. Fica tão difícil responder quem é você mesmo. Você se limita, se esconde, se fecha. Junto a tudo isso vem uma imensidão de dúvidas. A dúvida é angustiante. A guerra interna vem à tona. Ela não está começando. Só está emergindo de um lugar que já existia há muito tempo. E você não está pronto para ela.

Há dias que desejamos tão intensamente que chegamos a sufocar. Mas falta a coragem de viver nossos desejos. Falta a coragem de largar as roupas usadas e correr sem rumo, sem olhar para trás, sem remorso, ou algo ou alguém que a prenda. Uma prisão que muitas vezes é um buraco escuro que não se vê sentido, que torna a vida vazia e vaga, sem saber ao menos o que viver realmente. Sem saber pelo que seguir. Você apenas vive o que planejam pra você.

É uma vontade intensa que às vezes dói como doença, e às vezes vibra como a esperança por um dia novo. É uma vontade que anseia a cada segundo, sem mostrar caminho ou direção. Ela só sabe que quer ir e tão logo quanto possível. É uma vontade que aspira ser destemida e almeja passar por cima de qualquer dor ou entorpecimento que imobilize a alma. É uma vontade que fala e descreve quem você é de verdade.

Entorpecimento, é isso que destrói a alma, é isso que faz doer mais do que qualquer dor física. É uma dor sem cor, toque ou forma, não tem um ponto certo e não se vê. Ela absorve a vida e a nossa essência, que nasce vívida em todos nós, mas é sugada e abafada com o crescer. Entorpecer é sufocar-se na própria respiração, que vai se tornando pesada e arrastada. A gente desaprende até a respirar levemente.

Chega o dia que transborda, como um copo que transborda água de tão cheio. Como o mar que invade a terra para externar o que há nas profundezas. Não há mais espaço, o entorpecimento ultrapassou o limite do suportável. Muitas vezes parece um copo vedado, pressionado tão fortemente a ponto de explodir. Uma explosão, que se não cuidado antes, se manifesta intensamente no corpo. E dói, dói como você nunca pensou que fosse doer.

A doença que era da alma, se torna doença palpável no corpo. A doença que não podíamos tocar e ignorávamos, agora toma forma, corpo e voz. Uma voz que assusta, amedronta e apavora até o mais profundo do nosso Ser. Ficamos perdidos e desnorteados, afundando-se na lama das neuroses criadas e alimentadas. Afundamos em nossa própria construção. É um buraco escuro, solitário e assustador que você precisa encarar.




[Anne Leal]